Que se deve pensar sobre a Fraternidade São Pedro?

Depois da introdução dos novos ritos sacramentais, Roma não permitiu a nenhuma congregação o uso exclusivo dos antigos.

Nesse contexto, em 30 de junho de 1988, Dom Lefebvre sagrou quatro bispos para assegurar a sobrevivência do sacerdócio tradicional, dos sacramentos e, especialmente, da antiga Missa. De repente, em dois dias, João Paulo II reconheceu as "legítimas aspirações" a estas coisas (daqueles que não apoiassem a Fraternidade) e outorgou-lhes aquilo que sempre havia negado a Dom Lefebvre. Uma dúzia de padres da Fraternidade São Pio X aceitou esse sinal de “boa vontade” e abandonou a congregação para fundar a Fraternidade São Pedro.

Os princípios da Fraternidade São Pedro

Portanto, podemos deduzir desses fatos os princípios bastante questionáveis (que provavelmente seus próprios membros não aceitariam se fossem explicitados) sobre os quais está fundada a Fraternidade São Pedro:

  • a Igreja Conciliar é a Igreja Católica. Segundo os termos de Dom Benelli (em uma carta a Dom Lefebvre, 25/6/76). O que só é verdade na medida em que coincida com a Igreja pré-conciliar, não quando se oponha a ela.
  • o papa pode excomungar um bispo que faz tudo o que pode para perpetuar um episcopado ortodoxo, sabendo que este não é assegurado por Roma;
  • a Igreja Conciliar tem o poder de proibir a Missa de Sempre (porque o Novus Ordo Missae não é uma nova forma dela); de autorizá-la somente a aqueles que aceitem as novas orientações da Igreja Conciliar (em relação à vida, ao credo e às estruturas); e de declarar não católicos aqueles que o neguem com palavras ou obras;
  • a Igreja Conciliar pode continuar chamando-se católica apesar de proclamar estar em comunhão com qualquer um que se chame “cristão” e de declarar não estar em comunhão com católicos cujo único crime é querer seguir sendo católicos.

A prática da Fraternidade São Pedro

Os padres da Fraternidade São Pedro, como devem recorrer a bispos do Novus Ordo para poder celebrar os ritos tradicionais, acabam sendo compelidos na prática a abandonar a luta contra a nova religião instalada na Igreja.  De fato:

  • Não celebram a Missa Nova somente porque não é algo próprio de sua “espiritualidade” e conservam a Missa Tradicional somente por causa de seu “carisma” reconhecido pelo papa.
  • Procuram ter boas relações com os bispos locais, felicitando-os pelos menores sinais de espírito católico e calando seus desvios modernistas (exceto em relação aos bispos de dioceses onde eles não têm esperança de instalar-se), ainda que por essas ações acabem alentando-os em seu caminho equivocado.
  • Note-se, por exemplo, que a Fraternidade São Pedro aceitou sem restrições o Catecismo da Igreja Católica de 1992 (cf. C.15) e a ortodoxia do Concílio Vaticano II (cf. C.6), além de aceitar em seu seminário professores que rezam a Missa Nova.

Conclusão

Portanto, os membros da Fraternidade São Pedro são católicos conciliares e não católicos tradicionais. Desse modo, assistir suas missas significa:

  • Aceitar o compromisso sobre o qual fundam sua existência.
  • Aceitar a direção tomada pela Igreja conciliar e consequente destruição da fé e da prática católicas.
  • Aceitar particularmente a licitude e a ortodoxia doutrinal da Missa Nova e do Concílio Vaticano II.

Por esses motivos, um católico não deve assistir suas missas, de modo semelhante a como nunca é lícito assistir as missas dos cismáticos, por mais “santos” possam parecer.


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