A validade não é suficiente para fazer que uma Missa seja boa

Setembro 10, 2021

Validade é uma palavra enganosa. Para muitas pessoas que não estão habituadas a termos teológicos e canónicos, a validade significa que é válida. (...) Não é essa a questão! Validade significa que a presença e eficácia da graça que está no sacramento, a eficácia do efeito, pode estar lá, mesmo que a cerimónia seja sacrílego! Uma missa válida também pode ser sacrílego!

 

 


 

A Missa reformada, só é menos boa?

Tendo examinado as fraquezas da reforma litúrgica, a nova Missa é apenas menos boa do que a tradicional, ou pode ser descrita como má? Todas as Missas válidas são boas?

Mesmo que a validade da nova Missa possa não estar em jogo, é uma Missa envenenada, porque assim que as verdades devidamente católicas da Missa deixam de se afirmar para agradar aos protestantes, a fé nestas verdades também desaparece gradualmente. Isto é tão óbvio das consequências da nova Missa! Por esta razão, é-me impossível dizer que esta reforma só é má de uma forma puramente acidental e puramente externa e extrínseca.

Consideramos que a reforma da Missa, tendo sido composta com protestantes, tem uma influência ecuménica que teve um efeito tal que deixou um sabor protestante e que fez desaparecer gradualmente a noção de sacrifício propiciatório, de modo que as alterações feitas à Missa a tornaram perigosa e venenosa.

Como esta reforma é fruto do liberalismo e do modernismo, está totalmente envenenada; sai da heresia e acaba em heresia, embora todos os seus actos não sejam formalmente heréticos.

Há os factos que demonstram que a fé nas realidades dogmáticas essenciais da Missa está a perder-se. (...) É relativamente fácil fazer um estudo sobre a nocividade da nova Missa, que não chega de todo à conclusão de algumas pessoas, por vezes muito próximas de nós e que são supostamente "tradicionalistas", que são ouvidas a dizer: "A velha Missa é melhor, é claro, mas a outra não é má". Foi isto que o abade de Fontgombault disse em resposta a uma pessoa que lhe escreveu dizendo que não podia ser um oblate beneditino daquela abadia porque estavam ligados à nova Missa. O abade de Fontgombault respondeu: "Sim, é verdade. Reconheço, de facto, que a velha massa é melhor; mas a nova não é má e, por isso, dizemos por obediência".

Não aceitamos de forma alguma esta conclusão! Para dizer que a nova Missa é boa: não, a nova massa não é boa! Se fosse bom, começaríamos a dizê-lo amanhã. Se for bom, temos de obedecer. Se a Igreja nos dá algo que é bom e diz: "Tens de o fazer assim", qual seria a razão para dizer não? Enquanto que se dissermos: "Essa Missa está envenenada; é má e faz-nos perder a fé pouco a pouco", somos claramente obrigados a rejeitá-la.