Sexta dor de Maria

Abril 01, 2020
Fonte: District of Spain and Portugal

A sexta dor de Maria, a descida da Cruz

Para todos os dias :

1 - Oferecer de todo coração um sacrifício de renunciar voluntariamente a algo.
2 - Oração preparatória :

« STABAT MATER »

A piedosa Mãe ficou de pé junto à cruz e chorou enquanto o Filho pendia.

Cuja alma, triste e chorosa, perfurada e dolorosa, tinha uma faca feroz.

Oh, quão triste e aflita estava a Mãe abençoada, cheia de tantos tormentos!

Quando triste contemplava e dolorosa olhava com tristeza a tristeza do amado Filho. E qual homem não choraria se contemplasse a Mãe de Cristo com tanta dor? E quem não ficaria triste, Mãe piedosa, se vos visse sujeita a tanto rigor?

Pelos pecados do mundo, viu Jesus em tão profundo tormento a doce Mãe.

Viu morrer o Filho amado, que entregou seu espírito desamparado ao seu Pai.

Oh doce fonte de amor!, faz-me sentir a tua dor para que chore com contigo.

E que, por meu amado Cristo, meu coração ardente viva mais nele do que comigo. E, porque amá-lo me encoraja, no meu coração imprime as feridas que ele teve em si. E do teu Filho, Senhora, divide comigo agora as feridas que sofreu por mim.

Faz-me chorar contigo e pedir perdão por suas tristezas enquanto eu vivo.

Porque acompanhar desejo na cruz, onde o vejo, teu coração compassivo.

Virgem das virgens santas!, chore já com tanta ânsia, que o doce choro me seja. Para que sua paixão e morte tenha em minha alma, de sorte que sempre veja suas tristezas.

Faz-me apaixonar por sua cruz e viver nela e viva de minha fé e amor.

Porque me inflame e acenda, e contigo me defenda no dia do julgamento.

Faz que a morte de Cristo me proteja, quando a vida e a alma estiverem em aflição tão forte. Porque, quando fique o corpo calmo, vá minha alma para a glória eterna. Amém.

 (Tradução da versão de Félix Lope de Vega e Carpio)

SEXTO DIA

Primeira consideração : A sexta dor de Maria, a descida da Cruz

“O vos omnes... o profeta Jeremias canta em suas Lamentações ... Todos vós que passais pelo caminho, olhai e considerai se há mais dor do que a minha.” Ao contemplar a sexta espada do Coração de Maria, é sem dúvida a imagem da Virgem da Misericórdia que vem à mente. A Mãe de Deus sentada de braços abertos, recebendo o corpo sem vida de seu amado Filho e Redentor. Nesses braços, a história da salvação começou quando, pela primeira vez, o Filho de Deus apareceu como uma criança pequena em Belém. E nesses mesmos braços a história da salvação termina, quando pela última vez o Filho de Deus repousa sobre eles ferido e morto. Mas, que diferença entre a primeira e a última vez! No dia de Natal, Maria Santíssima ofereceu-nos um objeto de contemplação das mais belas e ternas; e agora nós, pecadores, devolvemos a sua Mãe totalmente desfeito ... “nem se quer tem aparência humana", como dizem os salmos. Em verdade, a Virgem poderia perguntar a cada um de nós: “o que fizeram com meu Filho?” Vamos tentar sentir algo da amargura de nossa mãe neste momento muito doloroso.

Como a Virgem possuía o corpo sem vida de Jesus Cristo, certamente levou um tempo para considerar todas as suas feridas. Para cada uma delas, sua alma cantou um hino de louvor e ação de graças. Mas que canção triste e difícil essa oferta deve ter sido! Cada chaga do Senhor era um prego no Coração de sua Mãe. Vamos abordar esse mistério com humildade, arrependimento e compaixão. Vamos também olhar com respeito e devoção as chagas de Jesus Cristo e, finalmente, ousamos olhar nos olhos à Virgem Maria e pedir-lhe de todo o coração: “perdão, misericórdia e clemencia!”

Segunda consideração : Repercussão no coração de São João.

São João foi um dos homens que ajudou José de Arimateia a desatar e descer o corpo santo e divino de Jesus Cristo da Cruz. Foi, portanto, um dos que colocou a vítima nos braços de Maria. São João pôde ver instantaneamente e considerar que nenhuma dor maior poderia ser representada do que a de sua nova mãe. Viu a maneira resignada e compassiva com que a Virgem beijava o preço da remissão de pecados. Viu como seu imenso amor lhe dava força suficiente para limpar cada uma das chagas, tão profundas e numerosas. Nenhum coração humano pode suportar um espetáculo tão comovente, menos ainda o coração puro de São João. Teve que chorar muito.

São João, o fiel neo-sacerdote, pôde oferecer com Maria e por Maria sua primeira missa no altar de seus braços. Apresentava o Pai Celestial através dos gestos e olhares da Mãe Celestial, cada uma das feridas do Filho Celestial. Não havia missa tão solene como a da Sexta-feira Santa! Certamente São João conseguiu alcançar um nível de entendimento do mistério da Redenção que nenhum dos outros apóstolos alcançou.  E isso porquê? Por estar tão perto de Maria, lendo e vivendo nela a Paixão de Cristo. Há uma razão para que o Evangelho de São João seja o mais profundo dos Evangelhos. Que São João nos ajude a viver a Semana Santa este ano como ele mesmo, compartilhando com a Virgem Maria.

Terceira consideração : Nossa compaixão.

Duas ideias para alimentar nossa própria compaixão. A primeira é que não precisamos deixar nossa Mãe tão dolorida, a tarefa de limpar as chagas de seu Filho sozinha. Proponhamos a nossa ajuda. Será a melhor maneira de compartilhar com ela, chorar com ela e perceber com ela o quão horrível e terrível os nossos pecados são.

A segunda ideia é que Maria é representada apenas com o seu Menino nos braços ou com o seu Filho morto nos braços. Esta consideração poderia cimentar uma realidade espiritual do mais profundo. Nos braços de Maria, apenas as crianças e os mortos têm acesso. Ou seja, os filhos espirituais, isto é, os humildes e os mortos espirituais, ou seja, aqueles que não vivem mais no mundo ou no pecado, mas apenas em Cristo Redentor. A conclusão é evidente; se compartilhar é consolador, não haverá maior consolo para o Coração de nossa Mãe do que fazer todos os esforços para converter-nos em outro seu menino, sacrificado por Cristo.

ORAÇÃO FINAL

1 Pai-nosso, 7 Ave-marias e Gloria.
Rogai por nós Virgem dolorosa / Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Jesus Cristo.

Petição…

Oremos. Ó Deus, que desejaste que em tua paixão, de acordo com a profecia de Simeão, a doce alma da gloriosa Virgem e Mãe Maria fosse transpassada por uma espada, conceda-nos graça, que, celebrando com veneração sua transfixação e paixão, possamos, através da intercessão de os gloriosos méritos de todos os Santos que cercam fielmente a Cruz, obter o feliz efeito de tua paixão. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Amém