Sétima dor de Maria

Abril 02, 2020
Fonte: District of Spain and Portugal

A sétima dor de Maria, o enterro de Jesus e a solidão e desconsolo de Maria

Para todos os dias :

1 - Oferecer de todo coração um sacrifício de renunciar voluntariamente a algo.
2 - Oração preparatória :

« STABAT MATER »

A piedosa Mãe ficou de pé junto à cruz e chorou enquanto o Filho pendia.

Cuja alma, triste e chorosa, perfurada e dolorosa, tinha uma faca feroz.

Oh, quão triste e aflita estava a Mãe abençoada, cheia de tantos tormentos!

Quando triste contemplava e dolorosa olhava com tristeza a tristeza do amado Filho. E qual homem não choraria se contemplasse a Mãe de Cristo com tanta dor? E quem não ficaria triste, Mãe piedosa, se vos visse sujeita a tanto rigor?

Pelos pecados do mundo, viu Jesus em tão profundo tormento a doce Mãe.

Viu morrer o Filho amado, que entregou seu espírito desamparado ao seu Pai.

Oh doce fonte de amor!, faz-me sentir a tua dor para que chore com contigo.

E que, por meu amado Cristo, meu coração ardente viva mais nele do que comigo. E, porque amá-lo me encoraja, no meu coração imprime as feridas que ele teve em si. E do teu Filho, Senhora, divide comigo agora as feridas que sofreu por mim.

Faz-me chorar contigo e pedir perdão por suas tristezas enquanto eu vivo.

Porque acompanhar desejo na cruz, onde o vejo, teu coração compassivo.

Virgem das virgens santas!, chore já com tanta ânsia, que o doce choro me seja. Para que sua paixão e morte tenha em minha alma, de sorte que sempre veja suas tristezas.

Faz-me apaixonar por sua cruz e viver nela e viva de minha fé e amor.

Porque me inflame e acenda, e contigo me defenda no dia do julgamento.

Faz que a morte de Cristo me proteja, quando a vida e a alma estiverem em aflição tão forte. Porque, quando fique o corpo calmo, vá minha alma para a glória eterna. Amém.

 (Tradução da versão de Félix Lope de Vega e Carpio)

SÉTIMO DIA

Primeira consideração : A sétima dor de Maria, o enterro de Jesus e a solidão e desconsolo de Maria.

Os especialistas costumam explicar que, durante a Paixão de Jesus Cristo, na hora de despir as roupas, removendo brutalmente o manto, todas as feridas do açoitamento foram reabertas, causando pela segunda vez, mas com um único golpe, todas as dores da terrível tortura. Algo semelhante aconteceu no Coração de Maria quando a pedra da tumba se fechou. Foi como o último golpe que reabriu todas as feridas de seu amor materno, acumuladas durante a Paixão de seu Divino Filho. A dor da sétima e última espada foi como a repetição de todos os sofredores da vida de Maria, condensada em um único instante. Grande foi o barulho dessa lápide, mas maior foi a repercussão na alma da Virgem Maria. Esta despedida da Mãe para um Filho foi certamente uma das mais dramáticas.

Naturalmente, a Santíssima Virgem conhecia e acreditava na ressurreição de seu Filho, mas a fé não lhe tirou nada do sofrimento, pelo contrário. Precisamente porque Maria sempre manteve sua fé na divindade de Jesus muito firme, sua alma podia considerar mais profundamente até que ponto a manifestação do amor de Deus pelos homens alcançava, para salvá-los do pecado. E que, ao dar o último beijo ao corpo sem vida do Redentor, aumentou em Maria suas dores. Ela sabia mais do que ninguém por que Jesus Cristo voluntariamente chegou a tal extremo. Ela soube sofrer e compartilhar mais do que ninguém até o fim e além do fim! Porque quando Jesus Cristo enterrado já desfrutava do descanso e da glória, o único Coração que continuou a sofrer perfeitamente, ou seja, de maneira redentora, foi o Imaculado Coração de Maria. Em verdade, a Santíssima Virgem foi a primeira pessoa a cumprir o que São Paulo mais tarde escreveria: “Completo em minha carne o que falta nos sofrimentos de Cristo”.

Segunda consideração : Repercussão no coração de São João.

Quando a tumba se fechou, o último golpe no coração da Virgem repercutiu no de São João, aquele que tinha nas mãos os da Mãe de Deus. Após um momento de intensa oração silenciosa, a Virgem Maria também poderia inclinar a cabeça em direção a São João para dizer-lhe: “Tudo está realizado”. São João levou a sério seu papel de filho e, com certeza, tomou consciência disso ao se afastar do santo sepulcro com a responsabilidade de acompanhar a Santíssima Virgem. Nestes momentos, São João teve que suprir e consolar a terrível solidão de Maria, dando-nos um exemplo do que é a compaixão: acompanhar a Virgem em sua solidão e desconsolo, estando sempre lá, com ela, nela, por ela e para ela.

Tudo começou na cova de Belém sob o olhar protetor de São José e tudo termina em outra cova, a da tumba do Calvário, sob o olhar atento de São João. Desde o início até o fim, Maria e Jesus encontram-se unidos para a obra da Redenção. Para nós também, tudo começa com o contato da pedra do batistério e termina com a pedra de um túmulo. A melhor maneira de passar de um para o outro será viver unidos a Jesus e Maria com a ajuda de São José, que na época do enterro sagrado estava perto de seu Filho adotivo no limbo dos justos; e com a ajuda de São João, que ao mesmo tempo consolava sua mãe adotiva na terra dos injustos.

Terceira consideração : Nossa compaixão.

Remediar o desconsolo e a solidão de nossa Mãe celestial parece ser a melhor maneira de aliviar a dor causada pela sétima dor. “Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”, disse a Virgem Maria em Fátima. E mais tarde em Pontevedra, especificou que a maneira de viver esta devoção comandada pelo próprio Deus é cumprir os cinco primeiros sábados do mês, tendo no cumprimento de todos os atos, a intenção reparadora de reparar todos os ultrajes cometidos contra o seu puríssimo Coração. Pois, cumprindo esta devoção sem murmurar e com fidelidade, entraremos nas melhores disposições para consolar e compartilhar com as Sete Dores da Bem-Aventurada Virgem.

E, finalmente, não vamos esquecer que, na hora de fechar o Santo Sepulcro, Maria foi a única a manter a fé na Ressurreição. Os próprios apóstolos perderam esta esperança. Pois, temos uma maneira muito simples e concreta de compartilhar com os sofrimentos de Maria: manter a fé na ressurreição do Corpo Místico de Jesus Cristo, que é a Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana. Vamos manter essa fé, apesar de todos os sinais óbvios de morte que vemos nesta sociedade sobrenatural que tem as promessas da vida eterna.

Bendito seja Deus pelas dores da Bem-aventurada Virgem Maria. Bendita seja a compaixão de São José e de São João pelas tristezas da Bem-aventurada Virgem Maria. Benditos sejam todos os meus sofrimentos unidos aos da Virgem Maria. Amém

ORAÇÃO FINAL

1 Pai-nosso, 7 Ave-marias e Gloria.
Rogai por nós Virgem dolorosa / Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Jesus Cristo.

Petição…

Oremos. Ó Deus, que desejaste que em tua paixão, de acordo com a profecia de Simeão, a doce alma da gloriosa Virgem e Mãe Maria fosse transpassada por uma espada, conceda-nos graça, que, celebrando com veneração sua transfixação e paixão, possamos, através da intercessão de os gloriosos méritos de todos os Santos que cercam fielmente a Cruz, obter o feliz efeito de tua paixão. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Amém