Quinta dor de Maria

Março 31, 2020
Fonte: District of Spain and Portugal

A quinta dor de Maria, a sua presença aos pés da Cruz

Para todos os dias :

1 - Oferecer de todo coração um sacrifício de renunciar voluntariamente a algo.
2 - Oração preparatória :

« STABAT MATER »

A piedosa Mãe ficou de pé junto à cruz e chorou enquanto o Filho pendia.

Cuja alma, triste e chorosa, perfurada e dolorosa, tinha uma faca feroz.

Oh, quão triste e aflita estava a Mãe abençoada, cheia de tantos tormentos!

Quando triste contemplava e dolorosa olhava com tristeza a tristeza do amado Filho. E qual homem não choraria se contemplasse a Mãe de Cristo com tanta dor? E quem não ficaria triste, Mãe piedosa, se vos visse sujeita a tanto rigor?

Pelos pecados do mundo, viu Jesus em tão profundo tormento a doce Mãe.

Viu morrer o Filho amado, que entregou seu espírito desamparado ao seu Pai.

Oh doce fonte de amor!, faz-me sentir a tua dor para que chore com contigo.

E que, por meu amado Cristo, meu coração ardente viva mais nele do que comigo. E, porque amá-lo me encoraja, no meu coração imprime as feridas que ele teve em si. E do teu Filho, Senhora, divide comigo agora as feridas que sofreu por mim.

Faz-me chorar contigo e pedir perdão por suas tristezas enquanto eu vivo.

Porque acompanhar desejo na cruz, onde o vejo, teu coração compassivo.

Virgem das virgens santas!, chore já com tanta ânsia, que o doce choro me seja. Para que sua paixão e morte tenha em minha alma, de sorte que sempre veja suas tristezas.

Faz-me apaixonar por sua cruz e viver nela e viva de minha fé e amor.

Porque me inflame e acenda, e contigo me defenda no dia do julgamento.

Faz que a morte de Cristo me proteja, quando a vida e a alma estiverem em aflição tão forte. Porque, quando fique o corpo calmo, vá minha alma para a glória eterna. Amém.

 (Tradução da versão de Félix Lope de Vega e Carpio)

QUINTO DIA

Primeira consideração : A quarta dor de Maria, a sua presença aos pés da Cruz

A Santa Igreja Católica é o melhor intérprete dos sentimentos divinos e, portanto, dos marianos. A liturgia das Dores da Santíssima Virgem Maria será nossa melhor ajuda hoje para contemplar a maior dor de nossa Mãe: a crucificação de seu Filho Jesus Cristo.

A epístola, por exemplo, diz: “Salvaste-nos da ruína sob o olhar do nosso Deus”. Em verdade, Maria nos salvou fazendo seu coração se identificar tanto com o de Jesus, que, no final, foi o mesmo amor que redimiu e co-redimiu os pecados do mundo. Jesus Cristo olhava para Maria levantada ao pé da cruz, e Maria olhava para Jesus Cristo levantado em cima da Cruz. O movimento de amor de Jesus era como uma poderosa torrente que descia de Deus para os homens, e o movimento do amor de Maria era como uma corrente vulcânica que subia dos homens para Deus. Estes dois movimentos aparentemente contrários foram unidos ao nível da Cruz, causando uma terrível e enorme explosão de amor, capaz de apagar a ruína de toda a história da humanidade. Entremos neste movimento para sentir em nossos corações outra aparente contradição que é realmente feita para se unir: amor e sofrimento.

“Bem-aventurado o Coração da Virgem Maria, canta a antífona da Comunhão, porque debaixo da cruz não precisou da morte para obter a palma do martírio.” Quando o soldado trespassou o lado de Jesus Cristo, sua lança atingiu um coração que não estava batendo e, portanto, não podia mais sofrer. Mas na Paixão do Salvador nada foi feito em vão, tudo estava programado e escrito. Então, um golpe no Coração de Jesus não poderia permanecer sem a correspondência da graça merecida. A solução estava no Coração da Virgem Maria, que não apenas continuava batendo, mas também permaneceu profundamente ligada à do seu Filho. Isso explica como Maria foi quem teve que suportar os sofrimentos de um golpe tão terrível. No exato momento em que as portas do divino Coração se abriram, a primeira a merecer entrar e guardar essas portas foi a “Rainha do Céu”, de quem o Tratado fala, “a Soberana do mundo, dolorida, mas de pé ao lado da Cruz “.

 

Segunda consideração : Repercussão no coração de São João.

«Jesus, vendo sua mãe e, junto dela, o discípulo que amava, disse a sua mãe: “Mulher, eis o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe”. E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-a na sua casa».  Para São João, toda a sua vida, toda a sua missão, todas as graças da sua vida para a sua missão estão resumidas nesta parte do Evangelho. Jesus não estabeleceu São João «filho adotivo e oficial de sua própria Mãe» sem, ao mesmo tempo, dar-lhe as graças para que seu coração e alma realmente se tornassem nas de um verdadeiro filho para com a sua mãe. Já havia experimentado e contemplado algo do imenso amor e dor inesgotável da Virgem Maria; mas agora que, realmente, se torna filho, não apenas se torna mais em adequação com Maria, mas a própria  Virgem Maria oferece a São João o amor que até agora reservara para Cristo. Vamos contemplar por um momento em silêncio esse evento singular e espetacular.

A propósito, Nosso Senhor foi capaz de pronunciar seu "Consummatum est" ou “Tudo está consumado” e libertar seu espírito. Sem dar a sua Mãe como meio necessário de salvação, o próprio Deus não poderia ter morrido, ou se tivesse morrido, não poderia ter dito: “Tudo está consumado”, porque algo estaria faltando. São João diz-nos que desde então levou a Virgem Maria em sua casa. Que São João faça de nós, a partir de agora, a compaixão que nos ajudará a ter para com ao coração da Virgem, mereçamos o título de “filho de Maria” e, para assim, recebê-la na casa de nossa alma.

Terceira consideração : Nossa compaixão.

"”Se quereis assistir bem à missa, assistam como a Virgem aos pés da cruz”, dizia Padre Pio. Ao ser a Santa Missa a renovação e a reatualização do sacrifício do Calvário, não existe melhor maneira de compartilhar com a dor da quinta espada de Maria, de assistir com frequência e devotamente à Missa, corporal ou espiritualmente.

Se soubéssemos o valor do tesouro que é a Santa Missa, poderíamos entender melhor a compaixão da Santíssima Virgem. Do mesmo modo, embora na direção oposta, penetrar cada vez mais nas Dores da Mãe de Deus nos ajudará a reunir mais graças eucarísticas. E a santificação pela Eucaristia é o maior consolo para a maior dor do seu Coração trespassado.

ORAÇÃO FINAL

1 Pai-nosso, 7 Ave-marias e Gloria.
Rogai por nós Virgem dolorosa / Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Jesus Cristo.

Petição…

Oremos. Ó Deus, que desejaste que em tua paixão, de acordo com a profecia de Simeão, a doce alma da gloriosa Virgem e Mãe Maria fosse transpassada por uma espada, conceda-nos graça, que, celebrando com veneração sua transfixação e paixão, possamos, através da intercessão de os gloriosos méritos de todos os Santos que cercam fielmente a Cruz, obter o feliz efeito de tua paixão. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Amém