O propósito ecuménico da nova Missa - Uma palavra de D. Lefebvre

Novembro 12, 2021
Fonte: fsspx.news

Quando fazemos a crítica interna da reforma litúrgica e tudo o que foi literalmente alterado no rito, apercebemo-nos de que o objectivo principal é ecuménico, um falso ecumenismo que não faz mais e não menos do que fazer-nos simplesmente aplicar os ritos de forma protestante.

A reforma litúrgica é ecuménica, feita no sentido protestante, com a participação de seis pastores protestantes, como atesta a Documentação Católica, publicando uma fotografia dos mesmos juntamente com o Santo Padre.

Nenhum protestante oficial era membro de pleno direito (...) da comissão encarregada da redacção da nova Missa (...) mas é ousado concluir que "os protestantes nada tiveram a ver com a redacção das novas anáforas, e a fortiori com a nova Missa".

Tanto quanto sei, essa Comissão não trabalhou à porta fechada, e Dom Botte não pode por isso afirmar que nenhum dos seus colegas não comunicou, entre as sessões, com os seis "observadores" protestantes ligados nessa qualidade ao Consilium para a reforma da liturgia, da qual essa Comissão dependia. (...) Poder-se-á imaginar que os ignorou numa altura em que um dos temas que mais os interessava, uma vez que tratava da natureza sacrificial da Missa, estava a ser discutido?

Em qualquer caso, na hipótese muito improvável de que os referidos "observadores" não tivessem colaborado na redacção das novas Orações Eucarísticas (e na pilhagem do Cânone Romano, da qual a Oração I1 é apenas uma hábil imitação), pode dizer-se que o seu espírito permeou de tal forma os membros da Comissão que estes satisfizeram espontaneamente os desejos ocultos dos hereges.

Pretendia-se uma aproximação com os protestantes, não atraindo-os ao catolicismo, mas, pelo contrário, aproximando o catolicismo do protestantismo. Os reformadores da Missa fizeram um grande esforço para suprimir praticamente tudo o que se opunha ao protestantismo, a fim de chegar a um sindicato - não é claro que união - que não é a unidade na fé.

O próprio D. Bugnini o disse a 19 de Março de 1965, como se pode ler no Osservatore Romano e na Documentação Católica, onde a tradução do seu discurso foi publicada: "Temos de retirar das nossas orações católicas e da liturgia católica tudo o que possa ser um obstáculo para os nossos irmãos separados". Isso foi em 19 de Março de 1965 e, portanto, antes de todas as reformas. Como é possível que agora vamos perguntar aos protestantes se concordam ou não com o sacrifício da Missa, os nossos sacramentos, todas as nossas orações e o nosso catecismo? Não gostas disto... e não gostas disso...? Então vamos acabar com isto.

Esta é a razão pela qual as fórmulas do Santo Sacrifício da Missa e todos os sacramentos foram alteradas, e o breviário dos sacerdotes e o calendário foram modificados. Tudo isto foi feito a fim de evitar qualquer coisa que pudesse perturbar os protestantes. Mas ao perguntar antes de cada reforma o que pensam os protestantes, acabamos por eliminar tudo o que é devidamente católico e tudo o que realmente nos lembra a nossa fé em contraste com os erros protestantes.