Nossa Senhora da Compaixão - Introdução

Março 29, 2020
Fonte: District of Spain and Portugal

Dada a decisão do Conselho Geral da Fraternidade de São Pio X de celebrar a Comemoração de Nossa Senhora da Compaixão, celebrada na sexta-feira da primeira semana da Paixão, a uma festa de 1ª classe no calendário da Irmandade, gostaríamos de convidar à meditação sobre as dores da Virgem Maria. Todos os dias, até esta celebração, a 3 de abril de 2020, apresentaremos uma meditação para nos aproximarmos dos sentimentos da Virgem e seu Filho Divino durante a Semana Santa.

Introdução

« O grande mistério e segredo mais eficaz para a nossa santificação »

Poderemos ler milhares e milhares de livros que falam da vida espiritual, contudo, todos estão resumidos numa única ideia essencial: a união com Deus. Para alcançar esta união, tudo é importante e principalmente os meios sem os quais essa união não pode ser alcançada, mantida e ampliada. Tais como os sacramentos, a oração, a penitência, a direção espiritual, as virtudes... Mas há um meio que resume e contém tudo e é a Santa Cruz. São Paulo disse claramente: “Porque julguei que não devia saber coisa alguma entre vós senão a Jesus Cristo, e Este crucificado”. (1 Cor 2, 2). E os grandes Mestres da espiritualidade que foram nossos santos Juan de la Cruz e Teresa de Jesus tornaram-se os melhores imitadores de São Paulo como ele próprio era de Cristo.

Deste modo, se a santificação consiste em unir-se a Deus e se todos os meios se resumem na Cruz, não haverá melhor exemplo do que o da Virgem Maria, que era o ser humano que alcançou o nível máximo de união com Deus, porque alcançou o nível compaixão máxima com seu Filho crucificado. Daí a grande importância da devoção às dores de Maria. O Imaculado e Doloroso Coração de Nossa Senhora é para nós o espelho mais perfeito e o meio mais acessível de alcançar com ela, por dela, nela e para ela, algo de sua compaixão e, portanto, algo da sua união.

 

Entrar nas dores do coração de Maria é agarrar-se a ela para alcançar o coração de Jesus, nosso Deus, com mais facilidade e eficácia. E num coração, o mais poderoso e precioso será sempre o amor, e não há amor maior e mais verdadeiro do que se sacrificar por aqueles que amamos. Portanto, meditar e unir-se às dores de Nossa Senhora é penetrar no lugar sagrado do amor: o amor entre o Filho divino e a Mãe de Deus. As palavras humanas nunca serão capazes de dizer ou explicar um mistério tão grande que é o segredo mais eficaz para a nossa santificação.

Precisamos de ajuda para penetrar completamente nesta fonte infinita de graça. Precisamos de diretores espirituais experientes que nos façam entender algo da profundidade da dor e do amor de Maria. Diretores que, devido ao seu papel e missão especial, puderam não apenas se unir espiritualmente ao Coração da Virgem, mas também se unir fisicamente à sua compaixão. Estes diretores viram suas lágrimas, contemplaram seu rosto na hora do sofrimento, puderam abraçá-la em seus próprios braços para confortá-la... Estes diretores a quem pediremos ajuda são o glorioso São José, que viveu com sua esposa as três primeiras dores e o mais querido São João, que viveu com sua Mãe adotiva e oficial as últimas quatro dores.

Por esse motivo, nesta preparação para a solenidade das Dores da Santíssima Virgem, todos os dias, lhe propomos meditar sobre um aspecto dos sofrimentos da Mãe de Deus, mas também sobre a compaixão do primeiro Servo e Consolador do Imaculado Coração e do primeiro sacerdote e apóstolo deste mesmo Coração. Graças a eles, aprenderemos a compartilhar-nos com as dores de nossa Mãe Celestial.

Este ano, pelo 50º aniversário de nossa Fraternidade Sacerdotal São Pio X, nosso Superior Geral, decidiu que toda a nossa Família espiritual veneraria nossa Senhora da Compaixão de agora em diante e para sempre como Rainha e Padroeira da nossa Instituição, comemorando a sexta-feira de Paixão como uma festa de primeira classe. Certamente não se esperava que essa primeira solenidade fosse celebrada de maneira confinada. A providência certamente nos pede para entrar e fortalecer-se no lugar onde, sem vírus ou vírus, alcançaremos o essencial de toda a vida humana: a salvação.