Doutrina sobre o Purgatório

Novembro 05, 2021

A Santa Madre Igreja dedica todo o mês de Novembro às almas do Purgatório, à porção dos seus filhos que, estando em suprema necessidade, não têm outra ajuda para remediar os seus nenhuma outra ajuda para remediar a sua miséria a não ser as orações e sacrifícios que, sob a forma de sufrágios, oferecidos para eles pelos seus irmãos na Igreja militante. Para nos estimular durante este mês para recordar e rezar por estas almas abençoadas, lembremo-nos a doutrina que S. Tomás expõe a este respeito na Summa Theologica, que pode ser resumida em sete pontos.

1. Há um Purgatório depois desta vida

A primeira coisa que São Tomás nos ensina é que existe um purgatório depois desta vida. esta vida. As almas dos defuntos, explica o Santo, ao deixar esta vida, recebem a recompensa que mereceram pelos seus actos.

- Se a alma é capaz de receber a sua retribuição de imediato, entra no seu devido lugar: Assim, os justos que nada devem a Deus são imediatamente admitidos no céu, os ímpios que morreram são imediatamente admitidos no inferno.

- Mas se a alma não for capaz de receber a recompensa, porque é atrasada por algo, como é o caso quando não pode entrar no céu porque tem uma dívida a pagar, vai para um lugar temporário, a que chamamos Purgatório.

São Tomás aponta a adequação dos diferentes infernos de acordo com a condição de a culpa da alma, que é a sua verdadeira justificação teológica: - se a alma, após a morte, for encontrada em PECADO MORTAL, vai imediatamente para o inferno dos condenados; se for encontrado apenas no PECADO ORIGINAL, vai para o limbo das crianças;

- se encontrado no PECADO VENIAL, vai para o Purgatório; - e no caso de não ter pecado, mas não poder entrar no mas incapaz de entrar na glória porque ainda não era merecida, ela foi detida no seio de Abraão. Por isso, para negar qualquer um destes lugares, diz o Santo seria falar contra a justiça divina, resistir à autoridade da Igreja, e incorrer em heresia. para incorrer em heresia.

2. Num mesmo lugar estão as almas purgadas e os ímpios são punidos

São Tomás ensina então que o lugar onde as almas são purgadas e onde os ímpios são punidos é o mesmo; um e o mesmo fogo queima o pecador como castigo e purifica os eleitos, da mesma forma que um e o mesmo fogo queima o joio e purifica o ouro, de acordo com as palavras de S. Gregório o Grande. O que nos torna distinguir os dois lugares:

- Por um lado, a severidade do castigo: o fogo do inferno é mais intenso do que a do Purgatório, estando o inferno situado como está na parte inferior, enquanto o Purgatório, embora ligado ao inferno, encontra-se numa região mais elevada.

- E, por outro lado, o estado da pena: no inferno, a pena do fogo e do mal é eterno e de dano é eterna, e exclui toda a esperança e toda virtude sobrenatural; enquanto no Purgatório tanto a pena de fogo como a privação de Deus são temporárias, Não duram mais do que o necessário para a perfeita purificação da alma, e são acompanhados por todo o mundo de graça, com o qual a alma foi encontrada no momento da morte da morte.

3º A pena do Purgatório excede todas as penas temporais desta vida

Naturalmente, a pena do Purgatório excede todas as penas temporais desta vida, e isto em termos da dupla pena de dano e sentido:

- A pena de dano, ou privação de Deus, será ainda mais severa porque Deus é mais vividamente desejado, porque o corpo já não refreia a tendência da alma para Deus, e porque a alma vê claramente que chegou o momento de gozar do Bem Supremo, e por isso está excessivamente aflita por ser atrasada na sua posse.

- A tristeza do sentido, que vem do fogo temporal, será também tanto mais intensa quanto a sente sozinha, sem a partilhar com o corpo, o que não deixaria de a aliviar.

4º No Purgatório já não há culpa de pecado, mas apenas a punição devida é expiada

Um novo ponto ensinado por São Tomás, é que a pena do Purgatório não expia o pecado venial no que diz respeito à culpa, mas apenas satisfaz a justiça divina; ou, por outras palavras, as almas no Purgatório já não têm qualquer pecado venial, mas apenas a pena devida pelos pecados veniais permanece nelas, e esta é a única razão pela qual devem oferecer uma expiação a Deus.

São Tomás ensina que a morte em estado de graça apaga todos os pecados veniais, porque pela morte o incentivo ao pecado, que foi a nossa concupiscência, é destruído, e porque não permanece na alma, após a morte, o afecto sensível ou apego ao pecado. A única coisa que permanece neles é a verdadeira desordem que alguns dos seus actos tiveram, e que deve ser reparada com a devida punição, com o devido sofrimento que é contrário à vontade. Desta forma, as almas no Purgatório, são, por um lado, perfeitamente santos, no sentido de que já não têm o mínimo pecado, a menor mancha que os desfiguraria aos olhos de Deus; mas, por outro lado, têm de equilibrar a sua alma com as disposições que não possuíam suficientemente nesta vida, tais como o conhecimento da gravidade do pecado, o profundo sentido da infinita majestade de Deus, do amor perfeito de Deus acima de todas as coisas, do abandono total das suas vontades na vontade de Deus, etc.

5º O diabo já não tem qualquer poder sobre as almas sobre as almas no Purgatório

Pela própria santidade das almas no Purgatório, ensina São Tomás, o diabo já não tem qualquer poder sobre elas, nem sequer para as atormentar; pois não seria correcto que aqueles que já triunfaram contra os demónios, morrendo sem pecado mortal, tivessem agora de se submeter a eles, a fim de suportarem um castigo por parte deles.

- Nesta vida, que é um lugar de luta, Deus permite que os demónios nos tentem, ataquem e atormentem, como os próprios inimigos da nossa luta, tal como Ele permite que os bons anjos nos ajudem nessa luta.

- Mas depois desta vida, a alma já não é atormentada nem pelos demónios, nem pelos bons anjos, pois os espíritos abençoados não atormentam os seus próprios concidadãos; e assim só resta que o castigo com que estas almas são purgadas venha da justiça divina, e ainda mais, da caridade divina, que, através do intenso amor que tem por estas almas, as dispõe e purifica para que possam entrar na pátria e finalmente receber a sua recompensa.

6º As almas dos fiéis defuntos podem ser ajudadas pelas obras dos vivos

A penúltima verdade que São Tomás nos ensina é que as almas dos fiéis defuntos podem ser ajudadas pelos actos dos vivos; de facto, o Santo assinala, tal costume aparece nas Escrituras, e vem dos próprios Apóstolos.

A Sagrada Escritura conta-nos como Judas Macabeus fez uma recolha entre as suas tropas para oferecer sacrifícios por aqueles que tinham caído em batalha e que se descobriu terem transgredido a lei de Deus, pensando religiosamente na ressurreição dos mortos, e na ajuda que podia ser dada aos mortos oferecendo orações por eles (II Macc. 12, 39-46).

A razão pela qual podemos ajudar os mortos com os nossos actos é, de facto, nada mais nada menos que a comunhão dos santos, ou seja, o carácter comum que todos os bens espirituais têm na Igreja, para que o que um faz beneficie outro, e o que um ganha possa ser aplicado aos outros membros da Igreja. Assim, há um fluxo contínuo de bens espirituais da Igreja militante para a Igreja purgante; há também da Igreja triunfante para a Igreja purgante, uma vez que os santos da glória também intercedem pelas almas no Purgatório, e tornam-nos os relevos ou ajudas compatíveis com a justiça divina a ser exercida sobre elas.

Contudo, -observa Santo Tomás, fazendo sua uma frase de Santo Agostinho-, a razão pela qual estas boas obras dos vivos lhes são aplicadas é que mereceram, durante a sua vida, que os sufrágios os aproveitassem após a morte. "Bem-aventurados os misericordiosos, porque obterão misericórdia", ensinou-nos Nosso Senhor Jesus Cristo; e isto é eminentemente verdadeiro para as almas do Purgatório: quanto mais misericordiosos foram para com o seu próximo por obras de caridade, tanto mais merecem que lhes sejam aplicados os sufrágios que a Igreja lhes oferece.

7º As obras que mais ajudam as almas no Purgatório são as orações da Igreja, o Santo Sacrifício da Missa e a esmola

Finalmente, se nos perguntarmos que obras são mais benéficas para o falecido, São Tomás responde que as que são mais úteis para as almas no Purgatório são as orações da Igreja, o Santo Sacrifício da Missa e esmolas. Porquê? Porque toda a aplicação dos sufrágios dos vivos ao falecido se baseia no união que existe entre eles através da caridade. E assim, quanto mais caridosa for uma obra ou quanto mais se pretende aplicá-lo a uma determinada pessoa falecida, mais vale para aliviá-la no Purgatório.

- Entre as obras de caridade, há duas em particular: a Santa Missa, por um lado, porque é o sacramento que é o sinal da união da Igreja na caridade, e porque contém Aquele que é a fonte e o vínculo da caridade, por quem toda a Igreja está unida e consolidada; e a esmola, por outro lado, é entendida no seu sentido geral de no seu significado geral de qualquer obra de misericórdia, pois estas obras são directamente produzidas por caridade.

- A oração, por sua vez, é de grande valor para as almas no Purgatório, porque é o trabalho que mais nos permite dirigir a nossa intenção a uma determinada pessoa, rezando por ela, aplicando-lhes aquilo que possamos ter merecido com as nossas próprias obras.

Conclusão

"Santo e salutar é o pensamento de rezar pelos mortos, para que sejam libertados dos seus pecados", a Sagrada Escritura ensina-nos no segundo livro de Macabeus (II Macc. 12-46). Tenhamos, pois, este pensamento santo e salutar durante este mês de Novembro, especialmente nos dias em que podemos ganhar uma indulgência plenária pelos nossos defuntos; para que possa também servir-nos de ocasião para obter misericórdia, quando nos encontrarmos nas mesmas condições que estas almas abençoadas - necessitadas da misericórdia dos outros - porque fomos misericordiosos para com eles no passado.