Comunhão e pandemia

Maio 30, 2020
Fonte: District of Spain and Portugal

O senhor Cardeal Antonio Marto critica os fiéis que exigem receber a Sagrada Comunhão na boca, apesar de estarmos em tempos de pandemia.

Seja-nos permitido observar que:
- a Comunhão na boca é a forma prevista pelo Direito para a administração deste Sacramento ao fiéis, mesmo no rito de Paulo VI. A comunhão na mão apenas foi prevista como uma excepção. Ora, ninguém pode ser proibido de observar a lei comum da Igreja.
- a comunhão na mão é absolutamente alheia à Tradição católica. Pelo contrário, a Igreja católica administra a Comunhão na boca e pelo Sacerdote, porque trata-se, não de um alimento comum, mas sim da participação ao Santo Sacrifício da Cruz, renovado nos Altares em forma sacramental. Pelo tanto, pertence a quem realiza o Sacrifício em virtude do seu Sacerdócio ministerial, entregar também a Víctima em Comunhão. Os fiéis, pelo contrário, estão revestidos de um Sacerdócio passivo, em virtude do seu carácter baptismal: é, pelo tanto, muito adequado que RECEBAM a Comunhão, e não a TOMEM.
- a Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia, com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, é a modo de substância. Por tanto, está presente em toda partícula visível a olho humano. Ora, a distribuição da comunhão na mão multiplica imensamente os perigos de se perderem pequenas partículas que fiquem aderidas às mãos, ou mesmo caíam no chão. Nem falemos da grande facilidade que dá esta maneira de fazer para a comissão de roubos sacrílegos de partículas...
- a interpretação dos textos evangélicos feita nesta entrevista pelo Sr Cardeal Antonio Marto é absolutamente abusiva: não sendo protestantes, devemos sempre interpretar os textos à luz da Tradição e do Magistério perene da Igreja. Ora, estas duas fontes estão clarissimamente a favor da Comunhão na boca, que foi a única forma de administração deste Sacramento no Rito Romano, até a reforma de Paulo VI. Por outra parte, é mais do que provável que Nosso Senhor Jesus Cristo tenha dado a Sagrada Comunhão desta forma aos próprios Apóstolos durante a Última Ceia, já que, dar um bocado de comida directamente na boca dum comensal era uma marca de estima particular na cultura hebraica, como vemos, aliás, quando Nosso Senhor Jesus Cristo, durante a ceia pascal judaica, dá um bocado a Judas Iscariotes, directamente na boca. Em última instância, os Apóstolos eram já Bispos, e não simples fiéis.

Além destas considerações de ordem teológico, cabe relembrar aqui que numerosos médicos pronunciaram-se sobre estas matérias, dizendo unanimemente que a comunhão na mão era muito menos profilática e segura que a Comunhão na boca.

Pelo tanto, condenamos firmemente este abuso de poder do Sr Cardeal Antonio Marto, fundamentado numa decisão ilegítima teológica e canonicamente da CEP, além de ser completamente irresponsável em termos de profilaxia. Os Sres Cardeais e Bispos da CEP terão que responder perante Deus de todos os sacrilégios cometidos, assim como dos eventuais casos de contagio resultado desta decisão insensata.

A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X em Portugal continua como sempre a dar a Sagrada Comunhão da maneira tradicional: na boca, de joelhos e da mão do Sacerdote.